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segunda-feira, 13 de junho de 2011

MEUS PÉS

Hoje eu acordei numa paz infinita.
Meu desejo de tranformação partiu desde meu corpo até a extensão da  casa.
Me levantei ,me banhei, me vesti com um vestido longo branco de algodão que trazia flores coloridas bordadas no peito. Deixei meus cabelos soltos e descalça como gosto de ficar em casa, sai na missão de ajeitar minhas lembranças.Meu café da manhã foi com torradas e meu tradicional suco de abacaxi com hortelã.
Depois com deliciosas lambidas do meu lindo cachorrinho, que corre me chamando para brincar.
Passo pela sala e vejo as belas rosas que passaram a fazer parte do meu dia a dia.
Lindas vermelhas, grandes, aveludadas.
Embalada pela doce voz de Ivan Lins, pego uma rosa e prendo em meus cabelos.
O sol brilha de uma forma que aquece e ilumina a minha alma...um ar puro enche os  meus pulmões.
Canto, brinco, arrumo minhas coisas, passeio pelo jardim em volta da piscina e observo que as aguas estão limpidas e convidativas.
Uma forte vontade de molhar os pés me abate...então caminho para a borda da piscina e descalça penduro meu pé para dentro dela...e sinto um arrepio ao sentir que a agua estava morna...
Era como se as aguas de um rio percorresse meu corpo.
Meu corpo percebe que está a cada dia reagindo de modo mais expontâneo.
Meu cachorrinho late...brincando com as plantas, e eu...me sentindo leve.
Um dia todo curtindo a mim ,as minhas coisas e meu novo amiguinho que parece feliz com seu novo lar.
Me beijei, me abraçei, e me amei...pois senti que estou mais fortalecida.
Me tornando uma predadora.




Os teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada púrpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram vôo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.


Pablo Neruda

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