Total de visualizações de página

domingo, 31 de março de 2013

A ORIGEM DE KORINA




... Caída entre galhos e  folhas secas .

Um gemido, um choramingar, entre o canto dos pássaros e o assoviar do vento.
Assim conta o pajé de uma tribo desconhecida pelos homens brancos  a menina loba Korina,
foi assim que você foi  menina  lobinha encontrada no meio da floresta, entre placenta e com seu cordão umbilical ainda pendurado.

Korina esta na idade de se descobrir...como manda a tradição indígena ela precisa buscar seus ancestrais.
Ela carrega traços marcantes. Olhos negros bem vivos, e profundos que não deixa transparecer  seus sentimentos. Reservada porém de sorriso largo, charmosa, amável, expressiva, muito criativa e um tanto curiosa.
 O Pajé atrai Korina para dentro de uma oca e lá começa o trabalho de busca a origem  da menina.

A tribo toda aguarda do lado de fora, curiosos e ansiosos em saber qual será o resultado desta experiência.

Korina já havia relatado ao pajé que em sonhos ela via sua mãe e os olhos de um homem que lembravam muito os seus .
Em seu coração pressentia uma mãe viva que uivava pela floresta em sua procura.

Uma porção liquida amarga é dado a menina para que ela mergulhasse em sono profundo e libertasse seu espirito para ir em busca do seu passado.
Uma experiencia extremamente perigosa, pois não sabiam aonde iam chegar, e se a menina teria forças suficiente para trazer seu espirito de volta ao corpo.

Deitada sobre uma esteira no chão, com um vestido branco sobre a pele , Korina deixa seus cabelos negros cairem ao redor da sua cabeça.

Começa o ritual.
Em pouco tempo a menina está em sono profundo...
O estampido de um tiro estremesse o corpo da menina que se assusta...
O espirito de Korina se esconde entre as arvores como um animalzinho assustado.

De repente ela avista uma loba, seus olhinhos se encantam ao reconhecer a mãe.
Um sorriso é esboçado no rosto da menina adormecida.
Em sua testa o suor era enxugado pelo pajé, que observava cada gesto e a pulsação da menina.
Korina quer correr para abraçar a mãe quando observa que ela esta ferida e em fuga.
Então com o olhar assustado a menina procura ver o porque ou de quem a sua mãe está fugindo.
Logo atrás na floresta fechada Korina vê um homem...
E ela logo pensa , é dele que minha  mãe está fugindo!
Uma dor corta o peito da menina ao se ver impotente perante aquela cena.

Olha para o caçador com a fúria de uma loba, é quando fita os olhos do homem e o reconhece.
É ele,
 os olhos que sempre vejo em meus sonhos...meu pai!

Korina corre em direção a mãe que está desfalecendo ao pé de uma arvore.
O corpo da menina se debate, entre gritos de choro , uivos de dor...
Seu suor e sua agitação preocupa o pajé que não perde um movimento da menina.

Korina grita para a  mãe loba, pedindo para que não morra!
Grita para o caçador implorando  que pare.
 Não mate minha mãe...por favor!
Pare!!!!!!!!!!!!!!
O pajé preocupado com o agito da menina, começa a invocar o  seu espirito de volta.
Volte Korina!
Volte Korina!
Volte Korina!!!!!!!!!!!!
A menina atordoada, abre os olhos e entre lagrimas soluça desesperada , e  ela revela.

Sou filha de uma loba com um caçador!

O pajé abraça a menina, e dá-lhe uma outra porção, esta agora para que ela durma e se acalme.

Ele deixa a menina repousando e se apresenta a tribo:
- A origem de Korina  cujo nome significa virgem, imaculada. 

Korina  é uma mestiça , filha de uma loba com um homem.

sábado, 23 de março de 2013

A MORTE DA LOBA



Querido diário,
Vejo a floresta a minha frente...
Olho o céu azul,
 Sinto o cheiro do mato verde,
a brisa do vento bate em meu rosto...
Meu corpo desenha todos os meus músculos e
minha pele doura na exposição ao sol.
 Meu pulso pulsa  ritmado  ao coração apaixonado de  loba que sou...

Meu instinto , meu faro , minha experiencia de loba selvagem , solta
numa floresta na qual nasci e cresci..
Conheço cada trilha , cada pedra, cada árvore ,cada canto de pássaro, 
cada movimento do mundo ao qual pertenço...
Meu território , meu domínio...

Sinto o cheiro do medo dos bichos que caço...
sinto o prazer do sangue quente que sorvo ao devorar meu alimento,
 se caço  é para a minha sobrevivência.
Caminho leve por entre o mato verde quando fito os olhos de um caçador
 um estampido  uma dor aguda no peito...

De caçadora a caça me  transformo em segundos...

Meu instinto de loba me traiu , meu coração apaixonado não percebeu a espreita do caçador.
De tão frio e calculista e pontaria certeira...ao fitarmos nos olhos não oscilou ao apertar o gatilho
 esperou o momento certo mira perfeita. Um  tiro único e certeiro.
Olho no olho a fera e a ferida se abriu ...
Uma dor... a dor de uma ferida aberta, dor de uma distração, dor de quem não acreditou na possibilidade de se tornar uma presa fácil ...a dor da surpresa e  tão grande quanto a da ferida que se abriu.

Abre-se a floresta a minha frente, acolha-me  oh mãe, não permita
que meus joelhos se dobrem na frente do caçador.!

Este que não veio no proposito de se alimentar mas, simples e puramente como
 homem caçador que mata por  prazer!
Homem  que só quis ver nos olhos da presa  a dor da  morte.
 Seu único e grande prazer.
Corro  mata a dentro ... deixando o rastro, a trilha do meu sangue que jorra.
Ouço as folhas secas sendo pisadas, ouço os galhos sendo quebrados a minhas costas
enquanto busco no fundo das minhas entranhas forças para fugir.

Seus olhos ainda estão gravados em minha memória.
Seu cheiro ainda na minha carne...
Seu olhar  frio vitrificado que não  transpareceram sentimento algum.
Simplesmente um humano... que mata pelo prazer de matar.
Segue meus passos somente para ver o meu cambalear.

Minhas vistas começam a embaçar.
Mãe natureza te imploro , não me deixe tombar...não na frente do caçador.
Acolha-me por favor!
Esconda-me! Não permita que ele me veja vencida...
 Dai-me uma morte digna!
 Reconheço  que não consegui  sentir a espreita do caçador.
Pequei perante a lei da selva... me distrai...confiei naquelas olhos que por segundos me fitaram.
E pago com a vida...mas que meu sangue sirva de alimento para a terra mãe.
Que me carne alimente os abutres, mas que minha cabeça não seja arrancada como premio
 para um  humano covarde sem sentimentos ou respeito a cadeia alimentar  que rege nossa floresta.
Perdoe este pobre mortal por não saber que a vida tem ciclos e que a vida gira em forma de circulo.
Não...ele nunca será um lobo, ele nunca entenderá que vivemos do alimento que caçamos.
Os lobos não matam por prazer...mas os homens sim!
Começo a sentir o frio percorrendo meu corpo e o suor derramando em minha fronte...
Minhas forças estão se esvaindo...não consigo mais enxergar e nem ouvir direito.
Só o pensamento  já  embaralhado  e que  roga :  
 - Misericórdia!



segunda-feira, 11 de março de 2013

JE T'AIME - COMO HOMEM COMO UM LOBO


Tudo bem... havia outras formas de se separar...alguns cacos de vidro teriam podido, talvez, nos ajudar. Neste silencio amargo...os erros que se podem cometer quando se ama demais." Je T'aime."
Assim canta Lara Fabian...
 E ao  som desta música  meu coração não obedece e a razão  deixa a emoção dominar meu corpo e a mente divaga... Como uma loba, como uma  rainha, como uma mulher que não sou... Veja só eu te amo assim!
Meu corpo nu sedento, carente , clama por mais uma vez poder repetir tudo o que houve entre nós.
A vida não oferece garantias e química é química. 
Lembranças dos nossos gritos e gemidos...
dos nossos corpos misturados , enroscados...
O desejo de que aconteça novamente e que  não seja num dia tão distante, mas enquanto arde a chama da lembrança, pois aprendi que não se vive de passado...Mas que precisamos fazer acontecer o presente.
Poder olhar seus olhos parados sobre os meus...
suas mãos suaves percorrendo cada pedaço do meu corpo, enquanto procura pela abertura da minha roupa.
Seus lábios colando  aos meus e nossas salivas se misturam num só gosto, nossas línguas brincando numa dança sensual.
E a temperatura  aumentando deixando  os nossos suores escorrendo pelas nossas  colunas e dobras.
Quantas sensações, sua boca e seu corpo me provocam... estremeço, sinto meu fogo aumentando e você não para.
És um lobo consciente da capacidade que tem de levar uma mulher aos céus...mostrar-lhe as estrelas...e queima-la como brasa viva.
Minha voz  estremece, meus gemidos se transformam em uivos , gritos de prazer.E um só pedido ... de que não pare.
Então com a visão embaçada pelo prazer que sinto em teus braços consigo  ver que você também vibra enlouquecidamente com cada movimento que fazemos.
Explosões, uma atrás da outra anunciam que o vulcão entrará em erupção...
Suas mãos apertam meu corpo, minhas unhas cravam em suas costas...seus dentes  mordem minha carne e minha língua  lambe o seu suor.
E  como uma onda gigantesca  nos quebramos no gozo do prazer e nos esparramamos  na areia em forma de espumas.

terça-feira, 5 de março de 2013

A LOBA OU EU



Bom dia meu diário,
Tenho meu corpo estendido em minha cama...ainda assustada, ainda tremula, ainda excitada
com o sonho que tive.
Olho para os meus lençóis revirados , travesseiro no chão, cabelos encharcados de suor.
Meus seios entumecidos e minhas coxas tremulas como se viesse de uma corrida.
olha para os lados e vejo meu espelho silencioso, guardião dos meus segredos.
Olho minha camisola de seda vermelha que expõe minha intimidade...
O silencio do quarto só é quebrado com o bater do meu coração.
Me sinto uma mulher guerreira , uma loba selvagem que acaba de sair de um combate.
Nos braços as veias pulsam com o correr do sangue, nos olhos o brilho de uma espreita.
A loba esta em posição de ataque...a loba esta com o gosto de uma guerrilha no corpo.
A respiração não se controla e os meus pelos se arrepiam com o passar do tempo.
Selvagem, completamente selvagem...é assim que me sinto.
Olhos, pele, dentes , braços ...corpo totalmente preparados.
Quem despertou a fera?
Quem chamou por ela?
Pois bem... ela despertou!
E não consigo dominar, é mais forte que a mulher.
E mais decidida que a humana... é quase bestial.
É a LOBA!
Totalmente sem controle  ou melhor sem senhoril, sem jugo, sem dono.
Olho para meu corpo e tenho vontade de um mortal combate.
Com o coração aos pulos no peito me levanto...a vontade que tenho é de rasgar aquela camisola vermelha
e lança-la ao fogo.
Deixo que caia aos meus pés...
Corro para a frente do espelho e me olho.
O que vejo?
Quem é esta nova mulher?
 Quem provocou sua fúria, sua sede?
Caçadora, caçadora....completamente armada até os dentes
nua para o meu confessor e conselheiro espelho.
E ele me diz: - Siga seu instinto, siga sua sina, solte sua fera e mate a mulher ,deixe a Loba te dominar, pois neste mundo só há lugar para uma e com certeza não é para a mulher !
Neste momento o sangue ferveu... 
Só a Loba sobreviveu!

<iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/KW2otv_HAUc" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>