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sábado, 23 de março de 2013

A MORTE DA LOBA



Querido diário,
Vejo a floresta a minha frente...
Olho o céu azul,
 Sinto o cheiro do mato verde,
a brisa do vento bate em meu rosto...
Meu corpo desenha todos os meus músculos e
minha pele doura na exposição ao sol.
 Meu pulso pulsa  ritmado  ao coração apaixonado de  loba que sou...

Meu instinto , meu faro , minha experiencia de loba selvagem , solta
numa floresta na qual nasci e cresci..
Conheço cada trilha , cada pedra, cada árvore ,cada canto de pássaro, 
cada movimento do mundo ao qual pertenço...
Meu território , meu domínio...

Sinto o cheiro do medo dos bichos que caço...
sinto o prazer do sangue quente que sorvo ao devorar meu alimento,
 se caço  é para a minha sobrevivência.
Caminho leve por entre o mato verde quando fito os olhos de um caçador
 um estampido  uma dor aguda no peito...

De caçadora a caça me  transformo em segundos...

Meu instinto de loba me traiu , meu coração apaixonado não percebeu a espreita do caçador.
De tão frio e calculista e pontaria certeira...ao fitarmos nos olhos não oscilou ao apertar o gatilho
 esperou o momento certo mira perfeita. Um  tiro único e certeiro.
Olho no olho a fera e a ferida se abriu ...
Uma dor... a dor de uma ferida aberta, dor de uma distração, dor de quem não acreditou na possibilidade de se tornar uma presa fácil ...a dor da surpresa e  tão grande quanto a da ferida que se abriu.

Abre-se a floresta a minha frente, acolha-me  oh mãe, não permita
que meus joelhos se dobrem na frente do caçador.!

Este que não veio no proposito de se alimentar mas, simples e puramente como
 homem caçador que mata por  prazer!
Homem  que só quis ver nos olhos da presa  a dor da  morte.
 Seu único e grande prazer.
Corro  mata a dentro ... deixando o rastro, a trilha do meu sangue que jorra.
Ouço as folhas secas sendo pisadas, ouço os galhos sendo quebrados a minhas costas
enquanto busco no fundo das minhas entranhas forças para fugir.

Seus olhos ainda estão gravados em minha memória.
Seu cheiro ainda na minha carne...
Seu olhar  frio vitrificado que não  transpareceram sentimento algum.
Simplesmente um humano... que mata pelo prazer de matar.
Segue meus passos somente para ver o meu cambalear.

Minhas vistas começam a embaçar.
Mãe natureza te imploro , não me deixe tombar...não na frente do caçador.
Acolha-me por favor!
Esconda-me! Não permita que ele me veja vencida...
 Dai-me uma morte digna!
 Reconheço  que não consegui  sentir a espreita do caçador.
Pequei perante a lei da selva... me distrai...confiei naquelas olhos que por segundos me fitaram.
E pago com a vida...mas que meu sangue sirva de alimento para a terra mãe.
Que me carne alimente os abutres, mas que minha cabeça não seja arrancada como premio
 para um  humano covarde sem sentimentos ou respeito a cadeia alimentar  que rege nossa floresta.
Perdoe este pobre mortal por não saber que a vida tem ciclos e que a vida gira em forma de circulo.
Não...ele nunca será um lobo, ele nunca entenderá que vivemos do alimento que caçamos.
Os lobos não matam por prazer...mas os homens sim!
Começo a sentir o frio percorrendo meu corpo e o suor derramando em minha fronte...
Minhas forças estão se esvaindo...não consigo mais enxergar e nem ouvir direito.
Só o pensamento  já  embaralhado  e que  roga :  
 - Misericórdia!



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