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quarta-feira, 8 de maio de 2013

O SONHO DE KORINA



Korina ainda está deitada em sua rede quando tem a grata surpresa.
Seu pedido foi atendido pela aborígine...a moça roubará a porção desejada por ela.
Com suavidade Korina se levanta da rede e olha nos olhos da moça com uma expressão indecifrada. 
Ambas caminham entre as matas e escolhem um local reservado para que Korina pudesse fazer sua viagem ao tempo. Entram em uma gruta próxima da tribo e dão inicio ao ritual.

Korina cai em sono profundo enquanto a moça olha preocupada com o que pode vir acontecer.

Korina abre os olhos e se vê em um ambiente totalmente desconhecido por ela.

Ela está no quarto de sua mãe.

E vê uma bela mulher de pele clara porém bronzeada de sol, de pernas torneadas e de vestimentas estranhas ao seus olhos. Sua mãe trajava uma camisola de seda e escrevia em seu diário como lhe era de costume.
E enquanto escrevia ela repetia suas escritas em voz alta como se quisesse convencer a si mesma.

Hoje meus olhos se abriram na intensão de meu destino...

O dia passou lento pois tinha a ansiedade da noite, cumpri meu ritual com o pensamento na noite.
Minhas flores, minhas rosas...lindas e  perfumadas. Elas me alimentam, alimentam meu coração.
O coração de uma loba que nasceu de uma dor enorme, de um vazio, de uma solidão ,de uma ilusão...de 
um parto doloroso onde se romperam veias, se esvaíram sangue, se atingiu a exaustão...

Uma  luta de sobrevivência...uma luta pela 

sobrevivência."

Korina via dor no olhar de sua mãe.

Assustada porém curiosa ela se aproxima e 

percebe que não pode ser vista pela mãe.


"Ahhhhhhhhh, existe um coração ferido, isto existe.
Um coração que teve que aprender a sobreviver...um coração que se partiu em mil e que destes mil pedaços nasceram mil lobas...cada uma mais feroz que a outra, famintas , selvagens, ariscas...traiçoeiras.
E eu, eu no meio desta alcateia de fêmeas furiosas....
Hora enfrentando, hora assustada, hora acuada,  mas sempre, sempre sozinha.
Lambendo minhas próprias feridas..."



Korina observa atenta os gestos da mãe enquanto paralelo corre os olhos pelo ambiente com o qual se encanta. Então era aqui que ela vivia?

Sinto em minha volta a presença dos machos, e o  receio das fêmeas.
Mas o que quero...quem eu quero...está distante de ser.
Me dedico ao projeto do trabalho  e é para ele que  vou viver...
Se tenho amor para dar , darei as minhas lentes. 
Se quero demonstrar amor demonstrarei através da minha lente.
Os olhos da loba se vitrificaram...
O coração da loba se vitrificou...

Pari mil lobas,
 lutei com outras mil,
 fui ferida por mais tantas mil  
mas ninguém me feriu mais que um..."

Ferida, ferida sim.... ela foi ferida eu me lembro eu a vi tombando...pensa Korina.

!Um carrasco me criou...nasci por suas mãos.
E não posso negar que de uma mulher frágil me 

transformei nesta loba.

A noite chega, e sinto na garganta a ânsia do uivo....
Corro para meu quarto e lá começa minha transformação...
Arranco minhas vestes  e me deixo nua..."

Korina fica confusa, não consegue acompanhar o raciocínio da mãe.

"De banho tomado passo os cremes suave e continuamente por minha pele , como leves e longas  lambidas.
Caminho para a frente do espelho e vejo um corpo.
A escolha da roupa é que determina meu novo eu... Do recato a sedução...
Irei ao um teatro com meu amigo fotografo, iremos registrar nosso primeiro trabalho para o estúdio.
Com o cabelo preso no gel, carrego na 
maquiagem , olhos bem pretos, cílios postiços, 
meu batom vermelho sangue com um toque 
de gloss.
Meu vestido longo de veludo de seda preto frente unica amarrado no pescoço, com o decote abaixo da cintura...desenha toda minha silhueta.Me deixando bem provocante, bastante sensual.
Minha sandálias carregam uma cobra de metal que envolve meus tornozelos. Nas orelhas dois pontos de brilhantes nos pulsos coloco dois braceletes romanos vazados e meu perfume amadeirado que gosto de usar a noite.

E estou pronta....minha ferida esta camuflada!
E deste trecho Korina só entende o camuflar da ferida.
Confusa e tonta com  tanta informação Korina 
começa dar sinal de exaustão.
E ouve seu nome sendo chamado como bem 
distante dali.
Korina, Korina, você precisa acordar.
Volte Korina, por favor!
- a voz da moça era desesperada sentindo o 
peso da responsabilidade que aquele roubo iria 
ser sobre ela se algo acontecesse com Korina.



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